Por muito tempo, a resposta padrão diante de instabilidade hemodinâmica foi expandir volume. Uma revisão publicada em 2025 na Current Opinion in Critical Care, assinada por Olivier Pantet, François-Xavier Ageron e Tobias Zingg, atualiza esse racional e mostra que a discussão avançou: hoje o foco está tanto em quando ressuscitar quanto em quando e como "desressuscitar".
O que muda
- A expansão volêmica agressiva tem sido associada a maior morbimortalidade, reforçando a necessidade de um manejo criterioso de fluidos — o chamado fluid stewardship — em vez de reposição automática.
- Parâmetros dinâmicos, como a variação de pressão de pulso (PPV) e a variação de volume sistólico (SVV), vêm ganhando espaço para guiar decisões de reposição volêmica de forma mais conservadora, substituindo metas fixas de volume.
- Avanços em monitorização hemodinâmica — incluindo sistemas automatizados de infusão em alça fechada (closed-loop) e ferramentas de aprendizado de máquina — apontam para maior individualização da terapia guiada por metas (goal-directed).
Por que isso importa
Os autores apontam a desressuscitação de fluidos como uma das principais fronteiras de pesquisa para os próximos anos, com o objetivo de mitigar a síndrome de sobrecarga hídrica — um problema que também reconhecemos na prática pediátrica, ainda que a extrapolação direta de protocolos desenvolvidos em adultos exija validação específica para a criança.
Este resumo tem caráter educativo e não substitui a leitura do artigo original nem os protocolos institucionais vigentes.
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