A sobrecarga hídrica em pacientes pediátricos criticamente enfermos não é um detalhe cosmético do balanço hídrico: está associada a maior morbimortalidade. O problema é que identificá-la à beira do leito, pelos métodos clínicos tradicionais, é mais difícil do que parece. Um editorial publicado no Jornal de Pediatria em 2025, comentando um estudo de Camargo et al. no mesmo número da revista, retoma essa discussão sob uma pergunta direta: o ultrassom pulmonar pode ser a ferramenta que faltava?
O limite da avaliação clínica tradicional
Peso, balanço hídrico e exame físico seguem sendo a base da avaliação de volume na UTI pediátrica, mas carecem de sensibilidade e especificidade quando o objetivo é detectar sobrecarga hídrica de forma objetiva e reprodutível.
O que o ultrassom pulmonar acrescenta
O uso do escore de água extravascular pulmonar (EVLW score), baseado na quantificação de linhas B, propõe uma forma mais objetiva de avaliar a sobrecarga hídrica — reprodutível entre observadores e repetível ao longo da internação, o que a torna candidata a ferramenta de monitorização à beira do leito.
O que mostrou o estudo comentado
O editorial discute o estudo retrospectivo de Camargo et al., com 68 pacientes pediátricos em choque séptico, que encontrou:
- Aumento do número de linhas B após bolus de fluido.
- O escore de água extravascular pulmonar (EVLW) como preditor independente de tempo de internação na UTI e de mortalidade, em modelos multivariados.
Por que isso importa
Se a avaliação clínica tradicional é limitada e o ultrassom pulmonar se mostra reprodutível e associado a desfechos relevantes, ele desponta como um recurso concreto para guiar decisões de manejo hídrico à beira do leito.
Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação clínica individual.
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